
Tristeza, revolta e nojo são os sentimentos que se afloram na pele quando a censura paira por aí sofisticada, tímida, mas certeira, com jogo de cintura, poder, e rede de influência para pôr os bons e menos agradáveis cronistas em ordem. Liberdade, é uma palavra retórica na boca de ministros que nos têm habituado a mastigá-la mesmo quando sabe a outra coisa. Nós lá comemos, e vamos comendo com a nossa usual subserviência aos senhores.
Os tabus fazem parte de todas as culturas, mas no caso desta varanda sobre o mar a que chamamos de "Portugal", o tabu é silenciosamente guardado nos antros mais recondidos da alma, não vá o enunciador correr o risco de lhe acontecer alguma coisa. O problema mais grave não é esta cultura, mas a praxis efectiva das instituições que continuam a funcionar num modos operandi subserviente, hierárquico, cauteloso de expressão e intelectualmente repressor. Actuando de uma maneira sofisticadamente desenrascada, certeira e efectiva, ou, com o medo preventivo que ameaça tacitamente o cidadão.
Neste caso concreto falamos do caso da RDP, em que o cronista Pedro Rosa Mendes tinha um espaço opinião semanal denominado "Este Tempo". A gota de água foi quando este publicou uma crónica critica sobre o regime Angolano e o programa da RTP "Portugal - Angola: Reencontro" no qual estava Miguel Relvas entre alguns Ministros Angolanos e personalidades da elite económica e política. Pedro Rosa Mendes foi despedido e o espaço de opinião acabou.
Miguel Relvas essa personagem de grande influência desde a Maçonaria à Angola mais profunda, é quem detém a tutela da Comunicação Social, tutela essa, que exige a maior das responsabilidades e pelas quais vai ter de responder perante a opinião pública por esta evidente e vergonhosa censura.
É vergonhoso pertencer a um país em que televisão pública tenta fazer diplomacia cínica e subserviente a um regime ditatorial, convidando para o seu programa a oligarquia político económica e passando-lhes a escova pelo pêlo. Angola um país extremamente desigual, onde não há liberdade de expressão, onde manifestações são proibidas e varridas ao pontapé, onde existe uma elite que domina como verdadeiros marajás um povo escravizado, é execrável patrocinar com dinheiros públicos uma tentativa de promoção da imagem de uma Angola ditatorial, injusta e altamente corrupta.
Este é o sinal do pragmatismo prostituto da nossa classe dirigente que parece nem ter um pingo de vergonha por patrocinar o regime de Eduardo dos Santos.
Todos sabemos o poder que Angola tem em Portugal nomeadamente a família de Eduardo dos Santos sendo a sua filha, Isabel dos Santos, uma das grandes accionistas de empresas como a "Galp", "BIC - Banco Internacional de Crédito" e "PT - Portugal Telecom".
A oligarquia angolana tem se vindo a instaurar e parece que os nossos governantes estão para lhes fazer o favor de minimizar as críticas, pois os senhores e senhoras não estão habituados a esse estilo de vida.
Um grande abraço a Isabel dos Santos ao Ditador seu Pai, e já agora ao Miguel Relvas pela sua excelente gestão da sua tutela.
Aqui está a excelente crónica de Pedro Rosa Mendes:
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