
Nos livros O Príncipe e Discursos, Niccolò Machiavelli discutiu o tema da religião, lembrando, no espírito de realpolitik calculista que caracteriza a sua filosofia pragmática, que a mesma tem um papel central na formação de autoridade política, sendo um excelente instrumento para manter o poder político. Que o digam a dinastia Bush e o GOP («Deus disse-me para invadir o Iraque», não foi essa a «justificação» dada ao povo americano para aquela campanha militar?), por exemplo.
Nestas eleições brasileiras, Dilma Rousseff parece estar a tirar partido das lições políticas do passado, como relata o Correio da Manhã:
«A candidata governamental à presidência, Dilma Rousseff, que se mostrou sempre distante da religião, vai tentar hoje, último dia de campanha na rádio e televisão, convencer os eleitores de que é religiosa e que o voto nela é a maior garantia da preservação da liberdade religiosa no Brasil.
De olho no imenso eleitorado católico e evangélico, Dilma assegurará ainda ser contra o aborto e o casamento entre homossexuais.
(…) Marina Silva, que apesar de evangélica defende um plebiscito para a questão do aborto, atacou de imediato a sua rival. “A ministra Dilma mudou de ideia por conveniência eleitoral. Num caso desta importância, não se pode dizer uma coisa e depois outra”, afirmou a candidata do Partido Verde.»

