quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Individualismo.

Uma das provas da falibilidade do binómio colectivismo/individualismo, ao qual discordo, por achar que as duas características são complementares, e que dependem uma da outra para existirem.

O individualismo pode ser visto de múltiplas perspectivas tal como o colectivismo, depende da forma como o abordamos. Mas toda a sociedade humana é colectivista, aliás o colectivismo está inerente à própria palavra "sociedade". O individualismo, ou seja, o sujeito, a individualidade, só existe num âmbito social, e no âmbito de uma sociedade de Direito pelo menos por este tempo, pois não foi criado ainda nenhum mecanismo de organização social tão eficaz como este. Onde não existe sociedade também não existe individuo, onde não existe individuo não existe sociedade. Qual será a individualidade de um ser no vazio? Se ninguém reconhece a individualidade. A individualidade só é reconhecida pela sociedade, pelo grupo, pelos outros. Existe uma cumplicidade muito grande entre a individualidade e a sociedade, que faz com que o binómio tradicional de colectivismo/individualismo comece a ser deixado de parte, nas teorias e na perspectivas mais "pos-modernistas", ou mesmo, pos-estruturalistas, de ver a sociedade e o homem. A individualidade nasce da autonomia dependente. A sociedade é a incubadora da individualidade. A meu ver não se poderá falar de individualidade na "lei da selva", na "lei do mais forte". A individualidade universal só poderá ser preservada pela democracia, e pela cooperação entre indivíduos. Se a individualidade não for universalizada ou democratizada, temos uma individualidade em que só os poderosos a têm. Ora eu defendo o direito a todo o ser humano de ter uma individualidade maximizada dentro de um quadro social. E esta individualidade só será conseguida numa sociedade, logo colectivista. O individualismo e o colectivismo coexistem em todos os meios de produção que conheço, e em todas as formas de organização societais. Se alguém me propor uma sociedade totalmente individualista sem nesta não existir uma interdependência de indivíduos, que me diga exemplos de períodos da história em que reinaram tipos de sociedade deste género e se nestes existem realmente "individualidades".

A individualidade é uma construção social, que os outros nos concedem. Mas para ela existir, tem de ser reconhecida pelos outros. Caso contrário não existe realmente individualidade, mas sim lei da selva.

A minha diferença de muitos dos individualistas que se dizem para aí, é que eu acredito que o individualismo deve ser para todos e não só para alguns empresários, ou castas.

Pelo individualismo do homem comum, e não ao individualismo só para alguns (um individualismo propriedade privada de uns quantos).


Emma Goldman:

Individuality is not to be confused with the various ideas and concepts of Individualism; much less with that “rugged individualism” which is only a masked attempt to repress and defeat the individual and his individuality So-called Individualism is the social and economic laissez faire: the exploitation of the masses by the classes by means of legal trickery, spiritual debasement and systematic indoctrination of the servile spirit, which process is known as “education.” That corrupt and perverse “individualism” is the strait-jacket of individuality. It has converted life into a degrading race for externals, for possession, for social prestige and supremacy. Its highest wisdom is “the devil take the hindmost.”

This “rugged individualism” has inevitably resulted in the greatest modern slavery, the crassest class distinctions, driving millions to the breadline. “Rugged individualism” has meant all the “individualism” for the masters, while the people are regimented into a slave caste to serve a handful of self-seeking “supermen.” America is perhaps the best representative of this kind of individualism, in whose name political tyranny and social oppression are defended and held up as virtues; while every aspiration and attempt of man to gain freedom and social opportunity to live is denounced as “unAmerican” and evil in the name of that same individualism.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DocLisboa (não) acabou ontem.

Para marcar 10 dias de felicidade que um dos melhores festivais de cinema em Lisboa, o DocLisboa, me deu.
Um excerto do grande documentário de 1967 "Loin du Vietnam" realizado por Joris Ivens, Jean-Luc Godard, William Klein, Chris Marker, Agnès Varda, Claude Lelouch e Alain Resnais.


Daqui para a frente, todos os meses publicarei um filme (documental ou não) que na minha opinião valerá a pena não perder.

O DocLisboa não acabou ontem.