segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Especial Fetiche Sadomasoquista Lusitano


O especial fetiche sadomasoquista português, "quando mais me bates mais eu gosto de ti", faz escola entre os portugueses, pois já três décadas de "democracia" passaram e nós temos o especial apreço de escolher sempre os mesmos carrascos que nos vão torturar a vida. Obedientes, preguiçosos e conformistas papamos toda informação que nos aparece no ecrã quando nos sentamos no sofá da sala, como bichos acéfalos de coutos esperneados no sofá a ouvir comentadores sebosos e aprumados, que parecem caixas de repetição, ruído, e fabrico de escândalos e boatos, que nós papamos como aperitivos rascas antes de um jantar cada vez mais caro feito pela mulher de avental encarcerada na cozinha, como um bicho que vive para fazer bitoques. Satisfazer o marido, e rezar pela família e a nação podre. Nós gostamos de ser abusados, e bem abusados como manda a tradição do Dr.Oliveirsa Salazar.
O português está perto de ser o animal mais meigo de entre os animais domesticáveis.

Se os governantes fossem treinadores de circo, coisa que em breve se tornarão. Nós, povo português, seremos os animais mais mansos de toda a insdústria circense. Para quê ir para a rua manifestar, se a Liga dos Campeões não acabou, se eu ainda posso comprar tremoços e assistir à bola aos domingos e durante a semana? pergunta o ancião mais primário das terras lusas ao seu Deus Cristão e Lusitâno.

As touradas são tão bonitas! Mais bonitas são aquelas em que os bois somos nós com cornos cortados pela metade para não inferir danos a quem brinca connosco. Pois os cornos do povo português são limados pelos próprios com carinho e delicadeza, para não magoar os senhores governantes, que apesar de grandes doutores e elequoentes sábios da nação governam este pedaço de merda à beira atlântico plantado como moscas em volta da comida podre.

O défice cresce, as desigualdades sociais aumentam, a classe média é distruída, o preço dos bens essenciais aumenta, o apoio às família mais carenciadas diminuí. A cultura extropiada sem braços e pernas, fica desta vez sem cabeça, para o contentamento de alguns. Os mecenas aparecem como bonzinhos, e senhores de cultura, interessados na arte, mas também interessados em controlá-la e criar alibis para branquear o capital, ou seja, digamos que pertendem dar destino ao dinheiro "menos limpo", ganho de uma forma "menos ílicita vá...", nada que um Ricardo Salgado ou Fernando Ulrich não faça. Esses grandes homens de bem, princípios e valores! Que governam por entreposto de um pseudo-governo chefiado por um filósofo Grego que ressuscitado há uns anos atrás virou José Sócrates que se diz "Socialista". As pessoas cegas pelos telejornais ainda acreditam e fazem fé que ele é um tipo "porreiro pá", mesmo dando cabo do sistema nacional de saúde e diminuindo pensões. O povo português até aclama, tragam o chicote, batam-me mais e com mais força, é assim que eu gosto, gritem pelo meu nome, batam-me, mais! mais! e os PEC'S vão passando, mais! mais! isso! assim mesmo! CONTINUA! batam-me com mais força! Que característica esbelta e majestosa deste povo descobridor de terras e mares, que ao caminhar dos séculos desenvolveu uma especial apetência e prazer pelas relações sádicas entre governantes e governados, que continua a satisfazer e a conformar lusitanos corações. Óh Camões já tu o sabias!

Enquanto alguns vêem a bola, e lêem o Correio da Manhã. Esse jornal internacionalmente reconhecido e de extrema qualidade e importância! Outros ouvem os canais de informação com a sua espectacular diversidade de opiniões em que o telespectador por vezes fica em dúvida se aquilo se trata de um jogo de imitação mútua, ou se realmente aquela opinião é diferente. Os banqueiros assaltam os seus bancos melhor do que qualquer ladrão de gorro e caçadeira de canos serrados. Os governante roubam nos salários e nos impostos que impõe para que continuem as regalias de uns a funcionar. Os partidos atávicos parecem estar mais preocupados com os acentos na assembleia da república do que com as pessoas que os limpam. No final disto tudo, existem pessoas com fome pelo país, outras que não têm dinheiro nem tempo para ter a sua independência, outras não têm para estudar nem para poder sonhar com uma vida melhor. No meio disto tudo, os Governantes, metem medo às pessoas, dizendo a plenos pulmões, Cuidado com os Anarquistas esses senhores vestidos de preto, esses selvagens da destruição que só querem violência, esquecidos de que não há nada mais violento do que viver numa das mais desiguais sociedades da Europa, com uma taxa de desemprego a rondar os 10%, com famílias a passar fome, e pobreza a deambular perdida nas ruas à procura de um trabalho, à procura de um sonho, à procura de um bem-estar que lhe é negado para que quem tem tanto continue a ter o mesmo ou até mais.

O povo português, liga o telejornal das oito que ecoa em cada sala deste país, desde Faro a Bragança, passando pelas mais remotas aldeias do interior, onde os velhinhos resistem à crise e ao frio bravos e fortes nas suas casas improvisadas de mármore e tijolo, às salas da classe média dos subúrbios de Lisboa onde as televisões são maiorzinhas e os apartamentos que parecem gavetas em cima umas das outras até ao alto do céu. O povo nas intermináveis filas das estradas que vêm dos subúrbios até Lisboa, é um desacreditado, que olha pela janela de braço estendido, stressado, com ar triste, e enjoado, de animal enjaulado para a morte e para a vida. No interior deste território a pouca juventude que resiste à desertificação acaba por abandonar a sua terra mais cedo ou mais tarde se é que quer continuar a sobreviver.

Um ministro engravatado num dos belos corredores da Assembleia da República com ar gorduroso e prepotente diz perante os holofotes e os microfones estendidos, "Os portugueses têm andando a viver acima das suas possibilidades", ao que eu me ri. Certamente que este senhor que proferiu tais palavras se esqueceu da realidade do trabalhador e da pessoa comum. Dizer ao povo português que viver com 800 euros mês é um luxo, é criminoso.

Mas a República das bananas continua para mais um dia. Mais um saque. Não fiquem tristes, pensem que amanhã será pior, e aproveitem. Não se esqueçam que ainda temos os melhores chico-espertos do mundo, o cão do Obama é português, temos o melhor treinador de football do mundo, o Cristiano Ronaldo, e batemos uma data de recordes do guiness, como o bolo rei maior do mundo.

Tragam as algemas de peluche, os chicotes, que o povo Lusitano gosta de levar à séria e à lusitana.

"Quanto mais me bates mais gosto de ti" - Povo Português

Espero que o povo contrarie esta sua característica neste dia 24. Vai ser uma GRANDE GREVE.

Russian Soviet Era Anti War film Funny

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Individualismo.

Uma das provas da falibilidade do binómio colectivismo/individualismo, ao qual discordo, por achar que as duas características são complementares, e que dependem uma da outra para existirem.

O individualismo pode ser visto de múltiplas perspectivas tal como o colectivismo, depende da forma como o abordamos. Mas toda a sociedade humana é colectivista, aliás o colectivismo está inerente à própria palavra "sociedade". O individualismo, ou seja, o sujeito, a individualidade, só existe num âmbito social, e no âmbito de uma sociedade de Direito pelo menos por este tempo, pois não foi criado ainda nenhum mecanismo de organização social tão eficaz como este. Onde não existe sociedade também não existe individuo, onde não existe individuo não existe sociedade. Qual será a individualidade de um ser no vazio? Se ninguém reconhece a individualidade. A individualidade só é reconhecida pela sociedade, pelo grupo, pelos outros. Existe uma cumplicidade muito grande entre a individualidade e a sociedade, que faz com que o binómio tradicional de colectivismo/individualismo comece a ser deixado de parte, nas teorias e na perspectivas mais "pos-modernistas", ou mesmo, pos-estruturalistas, de ver a sociedade e o homem. A individualidade nasce da autonomia dependente. A sociedade é a incubadora da individualidade. A meu ver não se poderá falar de individualidade na "lei da selva", na "lei do mais forte". A individualidade universal só poderá ser preservada pela democracia, e pela cooperação entre indivíduos. Se a individualidade não for universalizada ou democratizada, temos uma individualidade em que só os poderosos a têm. Ora eu defendo o direito a todo o ser humano de ter uma individualidade maximizada dentro de um quadro social. E esta individualidade só será conseguida numa sociedade, logo colectivista. O individualismo e o colectivismo coexistem em todos os meios de produção que conheço, e em todas as formas de organização societais. Se alguém me propor uma sociedade totalmente individualista sem nesta não existir uma interdependência de indivíduos, que me diga exemplos de períodos da história em que reinaram tipos de sociedade deste género e se nestes existem realmente "individualidades".

A individualidade é uma construção social, que os outros nos concedem. Mas para ela existir, tem de ser reconhecida pelos outros. Caso contrário não existe realmente individualidade, mas sim lei da selva.

A minha diferença de muitos dos individualistas que se dizem para aí, é que eu acredito que o individualismo deve ser para todos e não só para alguns empresários, ou castas.

Pelo individualismo do homem comum, e não ao individualismo só para alguns (um individualismo propriedade privada de uns quantos).


Emma Goldman:

Individuality is not to be confused with the various ideas and concepts of Individualism; much less with that “rugged individualism” which is only a masked attempt to repress and defeat the individual and his individuality So-called Individualism is the social and economic laissez faire: the exploitation of the masses by the classes by means of legal trickery, spiritual debasement and systematic indoctrination of the servile spirit, which process is known as “education.” That corrupt and perverse “individualism” is the strait-jacket of individuality. It has converted life into a degrading race for externals, for possession, for social prestige and supremacy. Its highest wisdom is “the devil take the hindmost.”

This “rugged individualism” has inevitably resulted in the greatest modern slavery, the crassest class distinctions, driving millions to the breadline. “Rugged individualism” has meant all the “individualism” for the masters, while the people are regimented into a slave caste to serve a handful of self-seeking “supermen.” America is perhaps the best representative of this kind of individualism, in whose name political tyranny and social oppression are defended and held up as virtues; while every aspiration and attempt of man to gain freedom and social opportunity to live is denounced as “unAmerican” and evil in the name of that same individualism.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010