quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Poema: 'A political critique'

"A life of beliefs fake like American democracy
And morals look nice like religious hypocrisy.
Donate money for free and call it humanity.
Tax the old and the poor and call it liberty.
Slaughter women and children and call it strategy.
hide the drugs, slugs on the street, thugs who compete
In jungles of concrete - and call it stability.
Give yourself a raise and call it job security.
Export weapons for cheap, the A-bombs we keep,
"Sleep my children" - and call it morality.
Preach with a bumper sticker and call it loyalty.
Confide in talking heads and call it philosophy.
Let them stand in the back of the bus,
Gas the rebellious, feed the prosperous - and call it equality.
Exterminate our forests and call it practicality
When in actuality
It's insanity.
Unemploy your people and call it economy.
Fill the air with smog from factories that clog
Our coasts to roast our most wondrous resource and
Call it maturity, efficiency, ability, industry:
How 'bout absurdity?
So if you tell me we're okay now - I'll call it a lie.
But if you tell me we can change, I'd say, let's give it a try."

Brian P., Huntingtown, MD

http://www.teenink.com/ [revista de literatura jovem]

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Marx, Trotsky, Lenine e outros Santos Padroeiros


Hoje deparamo-nos com várias correntes e pontos de vista que florescem. Uns mais à esquerda outros mais à direita. Vimos neste século o florescimento de teóricos como Toni Negri, David Harvey, Tony Judt, Slavoz Zizek, Noam Chomsky, Elinor Ostrom, Boaventura Sousa Santos, José Reis, entre muitos outros a desempenharem um papel essencial na cena intelectual e no debate teórico à esquerda tanto a nível nacional como internacional.

Enquanto uma esquerda mais moderna ouve atentamente os novos teóricos, outra limita-se a repezinhar os velhos santos padroeiros da esquerda e a adoptar os seus discursos, análises, e livros como fundamentalistas religiosos.

É nestes casos que a religião e a política se assemelham mais intensamente.

Existe um culto em certas áreas políticas de preservar um certo vocabulário que só interessa aos próprios crentes/militantes e que só eles sabem decifrar. Alguns até vibram quando alguma dessas palavras são proferidas, entrando quase em estado pós-hipnótico. Burguesia, proletariado, operariado, entre outros arcaísmos que a sociedade contemporânea percebe, mas que absorve estas palavras como quem come um pastel de nata fora do prazo. As palavras cheiram a bafio. Não têm eco na sociedade, só mesmo nos corredores destes partidos e movimentos. Falar nesta linguagem oitocentista é falar para dentro.

Não só é preciso adoptar um discurso mais contemporâneo. Com uma linguagem que não vá na mesma linhagem que o "Das Kapital" de Karl Marx. Que não caía na constante repetição da análise marxista que todos nós conhecemos. Que tem todo o mérito. Mas que não basta, e é insuficiente para os dias de hoje. É preciso uma renovação do método de análise da sociedade.

Depois de uma revolução tecnológica, cientifica digital e de uma sociedade pós-moderna que enfrenta desafios novos e complexos, não será viável perder muito tempo a revisitar santos como Lenine, Trotsky, Mao, como muitos outros. Não faz sentido. A não ser num ponto de vista mais historicista e numa "de aprender com os erros do passado".

É preciso romper com o tradicionalismo de esquerda e com todo o sacralismo que alguns gostam de fazer à volta de figuras como essas, transformando-as em santos rebeldes e anti-capitalistas, e os seus fiéis em gentes de uma procissão esquizofrénica e oitocentista, que ruma em direcção a uma pátria vermelha que os próprios não sabem dizer o que é. Mas que julgam sentir ao longe como um evangélico sente Deus quando entra em transe.

É preciso acabar com esta mitologia, com esta sacralização, com esta ideia de fado, com o repisar os mesmos ídolos e personagens o resto da vida. São coisas que não fazem sentido à maior parte da juventude de hoje e até a mais seniores. Quer-se uma ideia radical? Essas não o são de certeza, a de Trotsky, Lenine e Mao, que já há algum tempo foram corcomidas pelas traças.

A resposta está nos vivos, e não em mortos que já jazem nas suas campas há mais de um século.
É preciso não esquecer as suas obras, mas daí vai uma diferença enquanto a por as mesmas no pedestal da actualidade, e a procurar respostas para os problemas actuais vindas daí.

É preciso menos teoria crítica pura e menos alternativa política à priori. É urgente uma análise cientifica baseada em factos e em experiências empíricas e com métodos científicos do século XXI, coisa que a esquerda não se tem empenhado a fazer.

É preciso uma esquerda que experimente, que pesquise, que analise com mais detalhe e rigor cientifico. Uma que desconstrua os dogmas e que acabe com o espírito messiânico de uma certa esquerda inspirada inconscientemente pelo messianismo judaico-cristão. Paira por aí uma esquerda que espera por uma "revolução", que nascerá num dia de nevoeiro sabe-se lá por que razão e instaurará a utopia socialista, e seremos todos felizes para sempre. Esta crença tem que ser desconstruída. Para o bem de quem quer mudar as coisas realmente existentes.

Deixar o fetiche puramente ideológico e as utopias puras e ingénuas e pensar nas sociedades que foram mais longe na realidade em termos de alcançar os ideais do bem-estar, justiça social, democracia, liberdade e solidariedade. E pensar em métodos organizacionais que possam ser aplicados na realidade e experimentá-los. Exemplos como o OE participativo, o conceito "the commons" (de Elinor Ostrom), Demoex, entre outros projectos bastante interessantes que precisam de ser postos em prática que envolvam relações sociais novas, e novas formas de produção e preservação naturais.

É preciso desconstruir o mito de que o próximo modo de produção será determinadamente o modo de produção socialista e por consequente comunista. Isto é uma das crenças mais irracionais do pensamento marxista, que deve ser desconstruído e posta a nu.

Apelo a todos os interessados no debate e no progresso social que se faça um debate mais inovador, baseado mais em factos e experiências empíricas que em dogmas e escrituras de autores que já morreram há mais de um século.

É altura do método científico ser utilizado com mais intensidade. É altura de começar a incluir teorias e análises vindas de áreas como a sociobiologia, e de incluir mais análises vindas de áreas como a criminologia ou ciências jurídicas.

As análises sociais, e as alternativas sociais venham de onde vierem só poderão ser realmente positivas se envolverem no seu processo intelectual uma riqueza e pluralidade de análises, de disciplinas, de pessoas diferentes mas tolerantes. Não precisamos de mais dogmas ou esquerdas messiânicas que usam "O Capital" nas suas rezas ou outro holy book.

A esquerda advoga a mudança, mas a mudança na esquerda também é complicada.

Ar fresco. Anti-dogmático. Racionalidade, pragmatismo, tolerância e muita pluralidade.

O pior defeito da esquerda não está em ser demasiado anti-capitalista ou social-democrata, mas em ser dogmática.

Não deixa de ser engraçado como uma certa esquerda se aproxima da religião na sua lógica irracional, fé messiânica, determinismo e culto de personagens e livros de uma forma sacra, literal e tão pouco crítica e mesmo conservadora.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O "Nada" e o "Ninguém"

"Digital" (2005) - curta metragem de Elias Leon Siminiani




Uma cidade que se substitui.
Um cidadão que se perde.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O futuro incerto da Revolução tunisina

[Manifestantes tunisinos]

A Revolução de Jasmim foi um movimento verdadeiramente popular, de aspiração à liberdade, manifesta por fim no derrube da cleptocracia totalitária tunisina. O governo-fantoche instalado (dominado pelo partido de Ben Ali e apenas a semana passada expulso, com um timing notável, da Internacional Socialista), poderá cair em breve, e mesmo que o não faça o distanciamento das políticas despóticas é inevitável, pela rejeição popular do regime monárquico e medievalesco que era, na Tunísia, a ditadura da família de Ben Ali.

É de notar o papel que a internet teve neste movimento: como o único meio verdadeiramente capaz de abolir fronteiras e unir os insurrectos, como expressão suprema da ausência de coerção e da construção comunitária. É tempo de abraçar a internet como instrumento revolucionário e de intensificar a defesa dos seus conteúdos, sublinhando que a proibição do acesso à internet é a forma mais inaceitável de censura, como outros eventos este ano — o caso WikiLeaks sendo o principal exemplo —, vieram demonstrar. A internet teve na Tunísia o papel de conectar e organizar o movimento revolucionário; a tirania egípcia, compreendendo isto, proibiu não apenas as manifestações mas também os blogues e redes sociais.

A Revolução de Jasmim foi já uma vitória, pelo que alcançou. Mas lançou no Magrebe um abalo cujo desfecho é incerto e imprevisível. No Egipto, na Argélia, em Marrocos, na Mauritânia e na Líbia, os cidadãos olham para a Tunísia com esperança e solidariedade, mas os déspotas estão também atentos. Se as ondas de choque da Revolução se espalharão, é impossível dizer, mas o Egipto e o Líbano começam já a experimentar uma revolta popular em estado embrionário. No Cairo, a polícia dispersou uma manifestação contra o regime de Hosni Mubarak, usando gases lacrimogéneos e jactos de água; a proibição das manifestações é um sinal claro do medo da classe dominante.


[Conflito entre a população egípcia e a política de choque]

No meio das vitórias populares, contudo, a imprevisibilidade caótica do curso da Revolução cria a incerteza: a esperança de uma democracia, ou o medo de uma teocracia. A influência islâmica torna difícil o percurso para a democracia. Os partidos islâmicos, há muito banidos na Tunísia, anunciam-se reconstituídos. No Líbano, a tensão manifestou-se com a designação do primeiro-ministro apoiado pelo Hezbollah, Nagib Mikati. E a Arábia Saudita está pronta para espezinhar o jasmim onde quer que este comece a florescer, apoiando monetariamente os extremistas islâmicos no Iémen, na Jordânia, onde quer que se encontrem.

A vitória popular tunisina foi conduzida por jovens universitários laicos, cujas preocupações eram o futuro, a fome e o emprego, não as madraças e as mesquitas. A Revolução de Jasmim foi produto de necessidades seculares, não do ódio aos infiéis. Mas as forças teocráticas poderão estar prontas para reclamar outros fins em nome da população que não representam.

Há que ter atenção ao caso tunisino e ao seu desenlace ainda imprevisível. Aqui temos um microcosmo do zeitgeist da nossa época: uma época em que os valores da democracia e do iluminismo competem contra o fundamentalismo, a intolerância e a resposta prosélita à globalização. Neste microcosmo, as forças antagónicas e as tensões que marcam o presente do Magrebe e do Mundo estão a protagonizar uma experiência política e social cuja importância não convém menosprezar.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Nossa Maior Glória não está em Cair, mas em Levantar a Cada Queda.


Cavaco Silva eleito por cerca de 25% do total de portugueses e Manuel Alegre votado por cerca de10% dos portugueses. O que ficou a nu foi que nenhum deles tem grande credibilidade perante o povo português.

Mas mesmo assim do universo de eleitores Cavaco Silva ganhou. Manuel Alegre saiu derrotado, e a esquerda sai de ressaca como era previsível pelos críticos mais racionais desta fantochada.

Por mais jogos de palavras que queiramos fazer, Manuel Alegre não atraiu a confiança dos portugueses e teve um resultado pior que quando concorreu como "independente".

O que ficou patente, é que os candidatos "anti-sistema" saíram vitoriosos destas legislativas. Tanto Coelho como Nobre tiveram votações surpreendentes. O que mostra bem o descrédito que o povo português tem na classe política em geral.

Tal classe política que é bem representada na figura de Manuel Alegre e Cavaco Silva.

Pois um não teve outro trabalho que ser deputado na Assembleia da República e fazer poemas (Manuel Alegre), outro é o político que há mais tempo está no poder (Cavaco Silva). Os portugueses estão fartos deste tipo de oportunistas políticos, como mostra a abstenção, os votos brancos, nulos e os votos em Nobre e Coelho.

Tanto Cavaco Silva como Manuel Alegre estiveram nos corredores do poder nos últimos 37 anos. Tanto um como outro são são as faces da mesma moeda. Cada um à sua maneira. Cada um com o seu estilo e partido, cada um com as suas hipocrisias.

Manuel Alegre não representava uma real mudança, mas sim a perpetuação do mesmo, visto que quem apresenta o programa político estrutural para o país não é o Presidente da República.
Manuel Alegre poderia ser um garante da não dissolução da Assembleia da República, sim, mas não poderia impedir a acumulação de forças do PSD e CDS e da sua previsível chegada ao poder, a curto-médio prazo. Manuel Alegre foi uma má escolha da esquerda, de uma que se rende à falta de rigor, à mediocridade e ao mais fácil nos seus critérios políticos para apoiar certa personagem. Como sempre disse e continuo a dizer. Está na hora de prestar contas, está na hora de assumir os erros e aprender com eles. Mas não desistir, nunca. Nem desistir de aprender.

Está na hora de não voltar a apoiar candidatos medíocres, mas sim ter critérios mais rigorosos e também convergentes na escolha dos candidatos, e trabalhar para isso.

Cavaco ganhou, mas é a última vez que ganha. Prometemos dar luta.
Tenho pena daqueles que se deixaram iludir em demasia pela figura do Manuel Alegre, e dos que hipocritamente apoiaram a sua candidatura. O povo português conhece-os e não acredita neles.
Como mostraram as eleições.

Só 25 % dos portugueses acreditam em Cavaco Silva, e menos de 10% em Manuel Alegre.

Aprender com os erros, e toca a levantar.